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  • Marcela Marcos

A Evolução dos Desenhos de Tubulações Industriais

Como eram desenvolvidos os projetos antes da criação dos softwares de computação gráfica?


Comparação entre desenho manual e desenho feito no SolidWorks

Organização: Autora


Desenho Isométrico de Tubulações


Muitas vezes é um tanto quanto difícil pensar em como as coisas eram antigamente. Temos atualmente muitas conveniências que as pessoas que viveram no passado não tinham, no entanto, como já nascemos em meio a tanta tecnologia muitas vezes sequer imaginamos como seria viver em um contexto distante desse! Como viveríamos sem energia, sem telefone ou até mesmo sem conexão de internet no mundo atual? Pensarmos nesse cenário transforma o mundo em um lugar quase que apocalíptico em nossas mentes, certo?


No mundo dos projetistas e designers isso não é diferente. Muitas coisas mudaram desde os primórdios do desenho industrial! Nesse texto abordaremos especificamente os desenhos de tubulações, fazendo um paralelo entre a tecnologia que temos atualmente, com aquela com a qual contávamos há algumas décadas.



Antes dos softwares de computação gráfica


O desenho isométrico, nada mais é do que um objeto representado de forma tridimensional com a divisão de cada um dos eixos resultando em 120° cada. Especificamente sobre tubulações, Oziel de Lima escreve que “É a representação de uma tubulação vista em toda a sua grandeza (3D) com todos os detalhes de ligações.”.


Fonte: GRANATO et. al.

(link nas referências)



Podemos observar na figura abaixo como eram realizados os desenhos de projetos de tubulações de maneira manual:



Fonte: <http://caldtub.blogspot.com/2014/10/tubulacao-industria.html>


Já essa outra figura apresenta convenções para isométricos, algumas delas, contempladas na imagem acima:


Fonte: PORTO, A.J.V. et al. (2007)


Marcelo Pereira começou a trabalhar na área em 1986 e compartilhou um pouco de sua experiência sobre o assunto e como tudo era feito no que se refere ao desenho de tubulações antes da presença dos softwares em sua rotina de trabalho. Ao ler o seguinte depoimento, podemos nos aproximar um pouco de como era essa realidade:


“Quando eu trabalhava com desenho mecânico manual, eu tinha que fazer levantamento em chão de fábrica, (que a gente chama de levantamento em campo). Eu tinha que fazer o percurso de determinada tubulação, por exemplo: a tubulação de vapor saia lá da caldeira e fazia todo o trajeto pela usina, então eu tinha que fazer todo esse levantamento na prancheta. O que eu fazia? Eu pegava um papel isométrico, que é um papel próprio para isso e saia percorrendo o trajeto da tubulação, e detalhe, medindo aproximadamente a distância que existia entre os pilares de apoio, nos galpões, para ter o comprimento da tubulação também. Porque tudo o que é desenhado tem medida! E no decorrer desse levantamento, a pessoa tem que contar até quantas curvas tem. Quantas válvulas, quantos flanges, se é válvula com flange. E depois de você fazer todo esse levantamento na mão, lapiseira, prancheta de mão, trena no bolso e sair medindo! Aí você tinha que chegar na sua sala, pegar. Porque um isométrico não gerava uma folha A4, geravam várias. Aí depois você tinha que manualmente, ir para a prancheta e traçar tudo isso em uma escala reduzida para poder atualizar esse isométrico. Nesse isométrico consta o diâmetro de tubulação, consta tudo, então não era uma coisa tão simples assim, era bastante trabalhoso! Agora hoje, mesmo que a pessoa faça tudo isso aí, que eu te falei, do chão de fábrica, porque isso não muda, tem que ser feito até hoje, mas para ele lançar no software CAD é uma facilidade sem tamanho, né?” (Grifo da autora).

Por meio dessa declaração podemos ver como era um processo tão trabalhoso. Como dito no depoimento o trabalho de campo não é substituível, ele permanece como parte essencial de todo o procedimento. No entanto, a maneira que esses dados são processados traz uma praticidade enorme para o cotidiano da indústria atual.


Desenhos Realizados Atualmente

Com a chegada dos softwares de computação gráfica, muitas coisas mudaram como era de se esperar! Principalmente com a praticidade que traziam para o dia-a-dia dos profissionais da área, como mencionado anteriormente. O desenho abaixo, por exemplo, foi realizado no SolidWorks e é uma versão da tubulação apresentada como exemplo de desenho realizado de maneira manual.



Fonte: Arquivo Pessoal


Nessa versão do desenho da tubulação, além da evidente melhora da representação gráfica em 3D ao invés de linhas com pontos e traços, temos também a presença de legenda e lista de materiais utilizados gerada automaticamente pelo SolidWorks. Sobre essa praticidade relacionada ao desenho acima, Marcelo nos conta:


“Por exemplo, a velocidade que eu criei esse desenho, imagina se eu fosse riscar isso na prancheta, desenhar bonitinho? Primeiro, o isométrico é aquele pobre que você viu, mas era o que solucionava, porque eram linhas e simbologias, isso é bem complexo. Mas o trabalho manual não é extinto, a pessoa tem que fazer o levantamento no campo, na indústria, para depois lançar esse isométrico de atualização (nesse caso, fazer a atualização de tudo isso das tubulações da indústria). Só que aí depois a pessoa iria para a prancheta né? Aí gera aquela outra luta: é com um desenho sempre baseado em riscos e em simbologias! Agora hoje já não, você vê nesse isométrico que eu fiz, mostra o desenho da válvula, o tubo com diâmetro, flange, redução, tudo bonitinho, né? Então é bem mais complexo, a agilidade e desenvolvimento do trabalho, a velocidade, para fazer um desenho desse manualmente. Olha, esse desenho que eu fiz em quatorze minutos, a pessoa iria levar umas duas horas e meia, três horas para fazer se fosse na prancheta, você viu aí com a lista de material já. Não, isso para desenhar, porque se ele fosse normografar (normógrafo era um aparelhinho que a gente utilizava para escrever as letras perfeitas), levaria mais. Levaria quase um dia de trabalho para fazer esse isométrico com a lista de material (que eu fiz em quatorze minutos, pois a lista de material já gera automático no SolidWorks). Mas o trabalho de campo, ele não está obsoleto, ele e necessário e vai sempre ser.” (Grifo da autora)

No entanto, toda transição exige um tempo para adaptação certo? Os softwares CAD eram de fato, muito bem vindos para a execução do trabalho de muitos profissionais. Mas partir de um trabalho tão manual para um tão automatizado também pode apresentar seus próprios desafios:


“Quando eu migrei para o CAD eu levei em torno de uns dois anos para conseguir passar para o contexto do software tudo o que fazia, né? Porque tinha que aprender, você sabia que o software faz, mas aí você ia ter que aperfeiçoar a técnica e explorar o software para ver se ele faz o que você precisa né? Então, eu levei um tempo para descobrir todos esses recursos, principalmente quando eu estava nas usinas. Aí eu consegui obter esses resultados, isso no AutoCAD (mas com linhas também, igual o manual, não mudava). Aí depois que entrou o SolidWorks na história, esse, que já faz um desenho real do que queremos representar.” (Grifo da autora)


Conclusão


Esse texto apresentou outro ponto que prova como a tecnologia contribui para que desenvolvamos trabalhos de maneira cada vez mais prática e eficiente. Caso queira saber mais sobre como tudo isso é realizado atualmente, temos o segundo volume do curso de Tubulações que aborda e sana, diversas dúvidas levantadas pela comunidade de quem participa do canal no YouTube e de nosso grupo no WhatsApp. Principalmente às que surgiram no ao primeiro curso de Tubulações.

Além disso, temos diversas aulas em nosso canal do YouTube sobre o tema, que podem te ajudar bastante! Abaixo estão os links de uma de nossas últimas lives (onde Marcelo aborda tubulações na segunda parte do vídeo). Bem como o de uma vídeo aula do canal que também tratou sobre o assunto:


Live (ênfase na segunda parte)


Vídeo Aula (Tubulação Desenho Isométrico)



Referências


GRANATO, M. SANTANA, R. CLAUDINO, R. Perspectiva Isométrica. Disponível em: <https://www.etecitapeva.com.br/arquivos/docentes/Professor%20Antonio%20Robson/Perspectiva%20Isom%C3%A9trica.pdf>. Acesso em: 11 de maio de 2020.

LIMA, O. Noções de Tubulação Industrial - Professor Oziel de Lima. Disponível em: <http://caldtub.blogspot.com/2014/10/tubulacao-industria.html>. Acesso em: 11 de maio de 2020.

PORTO, A.J.V; FORTULAN, C.A.; DUDUCH, J.G.; MONTANARI, L. DESENHOS DE TUBULAÇÕES INDUSTRIAIS. 2007. Disponível em: <https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fedisciplinas.usp.br%2Fpluginfile.php%2F1829831%2Fmod_folder%2Fcontent%2F0%2FAula%25204%2520SEM-0503%2520DTM-II.pdf%3Fforcedownload%3D1&psig=AOvVaw0zV4ODCe1ct5TSndTAdI4t&ust=1589391435292000&source=images&cd=vfe&ved=0CAMQjB1qFwoTCKCJ3vHwrukCFQAAAAAdAAAAABAD>. Acesso em: 12 de maio de 2020.


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